Amoris Laetitia - Exortação Apostólica sobre o matrimônio e Família

pe-ricardo1No jornal anterior falamos sobre «a decisão de casar-se». Nesse número trataremos sobre a preparação para o matrimônio e vale lembrar de que falamos da celebração de um sacramento, uma celebração litúrgica com implicações juríd́icas.

O Matrimônio na igreja não é um evento social, é antes de tudo um ato litúrgico que segue as normas rituais que salvaguardam o aspecto divino dessa celebração iniciada em nome da Santíssima Trindade, iluminada pela Palavra de Deus, marcada pelas promessas matrimoniais e concluíd́a pela bênção nupcial.

Muitas vezes os noivos, seus familiares e amigos não levam em conta esse significado da celebração. Diz o Papa: «a preparação próxima do matrimônio tende a concentrar-se nos convites, na roupa, na festa com os seus inumeráveis detalhes que consomem tanto os recursos econômicos como as energias e a alegria. Os noivos chegam desfalecidos e exaustos ao casamento».
(n.212).

Sem a noção por parte dos noivos de que a celebração do matrimônio é um sacramento é fácil encontrar cerimônias onde são cometidos muitos desvios e abusos, por exemplo, o abuso mais gritante que é o da escolha de músicas inadequadas para o contexto religioso. Quantas vezes observamos dentro da igreja atitudes próprias de festas de salão ou de baladas, como assobios?

A melhor preparação que um casal pode ter para o matrimônio é a espiritual, onde prevaleça a sobriedade para que se ressalte a presença de Deus expressa no amor dos noivos. Diz ainda o Papa: «queridos noivos,tende a coragem de ser diferentes, não vos deixeis devorar pela sociedade do consumo e da aparência»(n.212). Nessa preparação espiritual cabem a confissão sacramental que os noivos podem fazer com um sacerdote dias antes do matrimônio, a escolha de músicas litúrgicas para a celebração, a oração em casal, e a recepção do sacramento da Eucaristia caso os noivos possam recebê-la.

Padre Ricardo de Barros Marques - vigário paroquial